
English Grammar in Use
por Raymond Murphy
10 min de leitura1527 palavras
Sobre o microbook
Como escolher entre “I did” e “I have done” sem confundir tempo com perspectiva? Em English Grammar in Use, Raymond Murphy apresenta a gramática inglesa como um conjunto de escolhas que moldam o sentido: tempos verbais, intenção, certeza e relações entre ideias. Este microbook acompanha dúvidas práticas de estudantes que já conhecem o básico e buscam compreender essas diferenças.
O que você aprenderá
Você verá como distinguir presente simples e contínuo, passado simples e contínuo, present perfect e formas de futuro, além de reconhecer o papel de modais, condicionais e desejos. Também acompanhará a organização da frase em voz ativa e passiva, perguntas diretas e indiretas, discurso relatado, padrões de verbos, artigos, quantificadores, orações relativas, adjetivos, advérbios, preposições e conectores.
Sobre o autor
Raymond Murphy é autor de materiais de ensino de inglês publicados pela Cambridge University Press, entre eles English Grammar in Use. Segundo a editora, ensinou inglês como língua estrangeira por 17 anos na Alemanha e no Reino Unido e, desde 1988, dedica-se em tempo integral à escrita de materiais para o ensino de inglês.
Nossa leitura começa com English Grammar in Use, de Raymond Murphy, e suas ideias centrais.
Imagine querer contar uma experiência em inglês e hesitar entre “I did” e “I have done”. A escolha não depende apenas de quando algo aconteceu, mas também de como esse acontecimento se relaciona com o presente. Raymond Murphy organiza dúvidas desse tipo em um guia de consulta e prática voltado principalmente a estudantes de nível intermediário. Cada unidade combina explicações e exemplos com exercícios, e o livro oferece respostas, exercícios complementares e um guia para ajudar o leitor a escolher o que estudar.
O tempo verbal expressa perspectiva, não só cronologia
Uma das distinções centrais do livro é a diferença entre ações em andamento e fatos habituais ou gerais. O presente simples descreve rotinas e verdades, como em “The earth goes round the sun”. Já o presente contínuo destaca algo que está acontecendo ou uma situação temporária, como “I’m working” ou “I’m living with some friends”.
Essa diferença também aparece na escolha entre passado simples e passado contínuo. Em “I was walking along the road when I saw Dan”, o primeiro verbo apresenta uma ação em andamento, e o segundo marca o acontecimento que ocorre durante ela. Para situar algo anterior a outro momento passado, Murphy apresenta o past perfect, e, para enfatizar a duração de uma atividade que vinha ocorrendo, o past perfect continuous.
O present perfect conecta uma experiência ou resultado anterior ao momento atual, enquanto o past simple se refere a um período concluído, como “yesterday” ou “last week”. Por isso, falar de algo que aconteceu ontem pede o passado simples, mas experiências acumuladas ou períodos ainda em curso podem pedir o present perfect. A diferença entre as formas simples e contínuas também ajuda a separar quantidade e duração, como em “I’ve read 53 pages” e “I’ve been reading for two hours”.
O futuro depende da intenção, do arranjo e da previsão
Ao tratar do futuro, Murphy apresenta formas diferentes para falar de planos, horários e acontecimentos previstos. O presente contínuo costuma indicar compromissos já organizados, como “I’m meeting her at the station”. O presente simples aparece em horários e programações, como quando se informa a hora em que um trem parte.
“Going to” expressa uma decisão ou intenção já formada e também serve para prever algo que os sinais presentes tornam provável. “Will” aparece em decisões tomadas no momento da fala, em ofertas e promessas, além de previsões baseadas no que se acredita que acontecerá. Para algumas previsões, as duas formas podem ser possíveis, e a escolha depende do contexto e da perspectiva de quem fala.
O livro também apresenta “will be doing” para ações que estarão em andamento em determinado momento futuro. “Will have done” mostra que algo estará concluído antes de uma referência futura. Depois de palavras como “when”, “if” e “until”, usa-se normalmente uma forma do presente, e não “will”, mesmo quando a frase fala do futuro.
Modais, hipóteses e desejos calibram o que dizemos
Os verbos modais ajudam a expressar capacidade, possibilidade, permissão e diferentes graus de certeza. “Can” e “could” podem falar de habilidades ou possibilidades, enquanto “may” e “might” indicam que algo talvez aconteça. “Must” e “can’t” também podem mostrar que o falante considera uma conclusão muito provável ou impossível.
A distinção entre obrigação e ausência de necessidade é igualmente importante. “Have to” apresenta uma obrigação, enquanto “must” pode expressar aquilo que o próprio falante considera necessário; “mustn’t” proíbe, mas “needn’t” indica que algo não é necessário. “Should” serve para aconselhar ou dizer o que parece certo, e “had better” costuma trazer um conselho ligado a uma situação específica.
As condicionais mostram como a forma verbal muda conforme a situação seja provável, hipotética ou contrária ao que aconteceu. “If I do” pode introduzir uma condição possível, enquanto “if I did” acompanha uma situação imaginada, e “if I had known” permite refletir sobre uma condição passada que não se realizou. Com “I wish”, o livro mostra como expressar insatisfação com o presente, arrependimento sobre o passado ou desejo de que algo mude.
Chegamos à metade deste microbook
Até aqui, vimos como os tempos verbais relacionam ações ao presente e ao passado, como diferentes formas organizam planos e previsões, e como modais e condicionais comunicam certeza, obrigação e hipótese. Essas escolhas mostram que a gramática não trata apenas de montar frases, mas de ajustar a forma ao sentido pretendido. Na segunda metade, o foco se volta à voz da frase, às perguntas e aos relatos, aos padrões que seguem os verbos e à construção de grupos nominais e frases completas.
A voz da frase e a forma de perguntar reorganizam a informação
Na voz ativa, a frase dá destaque a quem realiza a ação, como em “Somebody built this house”. Na passiva, o foco passa para aquilo que recebe a ação: “This house was built”. A estrutura usa “be” com o particípio passado, e a forma de “be” indica o tempo verbal, enquanto o agente pode ser mencionado com “by” quando for relevante.
No discurso relatado, uma fala direta costuma ser reformulada com mudanças de tempo verbal, pronomes e expressões de tempo ou lugar. Essas mudanças não são automáticas, pois o presente pode continuar adequado quando a informação ainda é verdadeira. Murphy também distingue “say” de “tell”: “tell” costuma indicar a quem algo foi dito, enquanto “say” pode aparecer sem mencionar o destinatário.
Nas perguntas diretas, a ordem das palavras e o uso de auxiliares dependem da construção, e o presente e o passado simples normalmente recorrem a “do”, “does” ou “did”. Em perguntas indiretas, como “Do you know what time the film starts?”, a ordem é a de uma afirmação, sem a inversão própria de uma pergunta direta. Auxiliares também aparecem em respostas curtas e em question tags, as pequenas perguntas usadas para confirmar ou buscar concordância.
A forma que vem depois do verbo também carrega significado
Um princípio recorrente do livro é que certos verbos pedem a forma “-ing”, enquanto outros pedem o infinitivo com “to”. Dizemos “enjoy reading” e “decide to go”, por exemplo, e alguns verbos podem ser seguidos por um objeto e “to”, como em “I want you to come”. Já “make” e “let” são seguidos por um infinitivo sem “to” na voz ativa.
Quando um verbo aceita tanto “-ing” quanto “to”, a escolha pode alterar o sentido. “Remember locking the door” indica lembrar-se de uma ação já realizada, enquanto “remember to lock the door” significa não esquecer de realizá-la. O livro também compara expressões como “stop doing” e “stop to do”, além de “try doing” e “try to do”, para mostrar como o padrão gramatical acompanha a intenção.
As preposições também influenciam a forma que vem depois de um verbo, e normalmente são seguidas por “-ing”. Assim, dizemos “look forward to going”, porque nesse caso “to” é uma preposição, e não a marca do infinitivo. Nos phrasal verbs, uma partícula como “on” ou “off” pode mudar o sentido do verbo, e a posição do objeto pode variar, como em “turn on the light” ou “turn the light on”, mas um pronome fica entre as duas partes, como em “turn it on”.
Da escolha do artigo à arquitetura da frase
Murphy também mostra como a escolha de substantivos e artigos ajuda a definir o contexto. Substantivos contáveis podem aparecer no singular ou no plural, enquanto os incontáveis, como “information” e “furniture”, normalmente não recebem “a” ou “an”. “A” e “an” apresentam algo não especificado, e “the” indica que o leitor ou ouvinte pode identificar a coisa mencionada.
Quantificadores como “some”, “any”, “much”, “many”, “few” e “little” ajudam a falar de quantidade, e palavras como “both”, “either” e “neither” organizam referências a duas coisas. As orações relativas acrescentam informações sobre pessoas e objetos, usando formas como “who”, “that” e “which”. Quando a informação é adicional, e não necessária para identificar a pessoa ou a coisa, o livro mostra como marcá-la com vírgulas.
Adjetivos e advérbios descrevem substantivos e ações, e sua posição pode alterar a naturalidade da frase. Comparativos e superlativos permitem estabelecer diferenças, enquanto a ordem das palavras ajuda a deixar claro quem fez o quê, onde e quando. As unidades sobre preposições e conjunções completam esse percurso, mostrando como expressões de tempo e lugar e conectores como “although”, “unless” e “while” estabelecem relações entre ideias.
Notas Finais
English Grammar in Use transforma dúvidas específicas em unidades de consulta e prática, sem exigir que o leitor estude o livro inteiro em sequência. As explicações, os exemplos, os exercícios e as respostas permitem avançar por necessidade, enquanto o guia de estudo e o índice ajudam a localizar os assuntos e as unidades pertinentes. A obra é direcionada principalmente a estudantes intermediários, embora também possa apoiar alguns alunos avançados com dúvidas gramaticais, e não foi pensada para iniciantes absolutos.
Dica do Minutobooks
Para continuar o estudo, uma opção semelhante é Oxford Practice Grammar: Intermediate, de John Eastwood. Assim como o livro de Murphy, ele combina explicações gramaticais e prática voltadas a quem já passou do nível básico. Pode ser uma boa alternativa para rever estruturas e reforçar o aprendizado com exercícios.

